Caerostris darwini
Existe um lugar restrito que recuso a dar o endereço, por motivos de suma complexidade, tais como o alto grau da ignorância presente – extrema falta de redes neurológicas ligadas ao estudo de excepcionais, vistos de maneira mesquinha. A grande porcentagem jamais entenderá a profundidade de um lugar excêntrico, similar a um poço sem fundo, interligado com a lei gravitacional, onde cair é inevitável, mas esta teoria só se aplica aos leigos, incapazes de virar de ponta cabeça.
O espaço privativo é adaptado e exclusivo para as cabeças de alfinete sem cor (altamente impróprio a falsas colorações!), dotadas com uma espécie de mapa mental, capazes de chegar ao local com precisão, acorrentados alfinetes que fluem ao rumo do percurso sem grandes explicações.
Ao longo dos anos o processo interno tende para o simples, tornando-se ilegível para outros, pois é resgatada a mesma percepção neurológica de uma criança, transformando a palavra numa linguagem informal digna de intensos significados, compreendidos apenas por outras crianças – conflito que poderia ser estudado e aplicado nas relações humanas.
Os alfinetes descorados que acompanham meu trabalho provavelmente entenderão o significado de meus argumentos através da Caerostris darwini, perfeição que como tantas outras, me faz lembrar a filosofia de Vygotsky.
Assim sermão, crítica para alguns, elogio para poucos, chega-se ao apse da ideia: a extrema gratidão às pessoas que fazem parte de
minha teia eternamente tecida, ora por mim, ora pelos colaboradores, transpirando união e tornando-se parte da essência natural, muito rara na humanidade, pois como um tripé, cada membro segura de um lado, e a união das peças destinam o cheque mate.
Sábado estive com Hélio Ideriha, dentista, nadador, e ator nas horas vagas! Passamos a tarde na praia de Mariscal filmando o tão esperado clipe de Drops of Rain, composição que homenagea as vítimas da tragédia do Tsunami no Japão, ocorrido em março deste ano. A letra clama pela união das nações, e preza pela consciência ambiental.
Enfim, será uma semana cansativa, com grandes projetos se concluindo. Acredito que no final da semana postarei o primeiro vídeo da “leva” que está por vir: Working for Freedom. Mas por enquanto a capivara permanece no mato. Nem adianta espiar! Vai que você confunda com uma Anta!
Gotas de Chuva
Venho refletindo por algum tempo sobre o que eu falaria aqui neste blog, afinal, muitos blogs de sucesso têm um tema. Talvez o meu tema deveria ser direcionado à música, já que este site é sobre meu trabalho musical. Mas prefiro usar a sabedoria do nosso querido Hancock. Disse ele certa vez, que passou a vida inteira se dizendo músico, mas hoje considera a música apenas como uma coisa que ele faz. Ele é o Herbie Hancock. E eu também não sou músico. Não devemos nos considerar por algo que fazemos e sim como o que somos. Assim como a música, o cinema, a leitura, a gastronomia, sou filho, irmão, amigo, professor, vizinho, cidadão. Seria um erro eu me considerar músico, apesar deste adjetivo estar escrito no meu cartão de visita.
Com essa explicação, batizo meu blog, como a união de todas as coisas que dão sentido a minha vida, e cada post responderá algumas questões relacionadas à minha arte, a arte de compor, pois afinal, não é só a própria música que nos faz verdadeiros compositores, e sim, tudo que está a nossa volta. As “influências” diárias que de certa forma, escolhemos para vivenciar.
Comecei a ler um conto de Voltaire que se chama “O Ingênuo”. Eis que, nós ingênuos, vivemos num mundo onde estamos destruindo nossa própria morada. Diferente dos outros seres vivos, o homem carrega o “fardo” de pensar, e deveria usar para o progresso, mas essa distinção entre estes seres está nula, pois nenhum outro ser é parasita de si mesmo.
Hoje a “ingenuidade” de um ser, mudou o rumo diário de algumas pessoas da minha cidade. Eu estava lendo Voltaire, quando escutei um certo tumulto aqui em casa, e um cheiro de fumaça bem forte. Alguém colocou fogo num mato aqui perto e a fumaça tão forte impedia a nós, enxergar o que estava queimando. Até os bombeiros chegarem, a fumaça já havia invadido nosso prédio inteiro, e sujado toda a nossa roupa do varal, que por conseqüência teremos de lavar novamente, e neste processo, vai mais água fora, mais energia elétrica, e mais produto de limpeza. A atitude de um inconseqüente se multiplicou, e refletirá diretamente sobre ele. Imagino eu que neste mesmo momento em que escrevo, há outros tantos parasitas queimando mato ao redor do mundo.
Eu estou trabalhando num projeto, onde vamos filmar um clipe, e usaríamos um sofá velho que estava como um lixo no centro do fogo hoje a tarde. A idéia do projeto é mostrar o sofá no meio da natureza como símbolo de poluição. Mas agora, minha ingenuidade de não ter resgatado o sofá antes deste acidente, mudará o percurso de nosso trabalho. A “boa” notícia, é que provavelmente, acharei outro sofá. O antigo sofá cumpre agora sua nova missão: ajudar a poluir nosso mundo com a fumaça tóxica que restou. O que serviria como reciclagem em uma campanha de conscientização, hoje virou gases que contribuem para o efeito estufa.
Um minuto de silêncio para o sofá. O sofá que representava o desespero da natureza, o culpado pelo início das catástrofes, no projeto do clipe. Um minuto de silêncio para a árvore que eu vi queimar, e uns tantos insetos e pássaros que estavam por perto. Um minuto de silêncio para a ignorância do homem que hoje destruiu vidas.
Porém, da ignorância de um homem nasce a indignação de outros. E a indignação deve cumprir seu destino: mudança. No meu caso, uso da música para mostrar minha indignação tentando provocar mudanças. E esta composição leva o nome do projeto. Drops of Rain, antes gotas de chuva, agora lágrimas de indignação, ao saber que um homem é capaz de assassinar 12 crianças em apenas um dia. O ser humano jamais fará jus ao seu próprio nome antes de amar uma criança.
Apesar de tudo que vem acontecendo, eu tenho esperanças, e a prova disso está estampada no meu próprio nome. Headway significa Progresso, e também um trocadilho de Caminho pela Mente. Tudo que concretizamos começa dentro da gente.
James C. Hunter escreveu uma frase que eu anotei há muitos anos atrás que diz: “Pensamentos tornam-se ações, ações tornam-se hábitos, hábitos tornam-se caráter, e nosso caráter torna-se nosso destino”. Ou seja, nosso destino é traçado pela nossa própria arte de pensar.
Hoje penso. Penso e clamo aqui, pela união de todas as nações. Que minhas gotas de lágrimas se transformem em gotas de esperança, e que elas possam cair sobre a sua casa, e envolver você num manto de consciência, para que cuidemos de nossa Mãe Terra.
“I was drops of rain. I could feel me fall. Now I just see pain. Tear drops on the floor”
P.G. Headway




