Certain Fall – Tradução
Queda Certa
Meu espelho quebrou
Já nem sei quem sou
Tento ainda me ver
Mas veja o que eu vejo
Todo o meu ser retalhado
Imagens distorcidas, ele marca em mim
Que já não posso ver
Fagulhas de esperança espalhadas pelo chão
Que não quero pisar, aaahhh
Refrão:
Chão salpicado pelo brilho que também cai
Dos meus olhos agora opacos
Estórias em pedaços
Segredos se esvaindo pelas fugas
Cacos enfileirados
Esperando a hora da inevitável queda
Eu já posso imaginar
O som estridente de um barulho
Que terei de suportar em silêncio
O sorriso desfeito… e o sofrer
Da falta que me fará
A lágrima caída, a verdade escondida nos vãos
De um vazio enquadrado
Num quadrado vazio na parede
(Refrão)
Que há de ficar
Tentando encontrar
A paz perdida em meio aos restos de mim
Empilhados e esquecidos
Num canto qualquer da casa
Agora sem canto.
Maria Elivete
Imagens x Pensamentos
Meus pensamentos são imagens que fiz
E-pl.15
Imagens aparecem
Em minha mente
Me fazem pensar que penso
Assim é minha visão:
Faço ilusões do que vejo.
Fazer imagens
Não é visão real
Pensamento é dom.
Eu não o criei.
Pensamento
É todo o meu poder
Doado a mim pela graça
Pensamento real
Só pensa amor
O irreal
Só constrói imagens
Como pensei hoje?
Quanto amor esteve hoje
Em meu pensamento?
E no teu?
Maria Thereza de Barros Camargo
In Oremas (Íbis Libris 2006)
O Anticristo
“O conceito de ‘Deus’ foi arquitetado como antítese ao de ‘vida’, tendo sido reunião nele, em terrível unidade, tudo o que havia de abjeto, de
venenoso, de calunioso: todo ódio mortal contra a vida. O conceito do ‘além’, do ‘mundo verdadeiro’, foi criado para desprezo do único mundo que existe, para não conservar mais em relação à nossa realidade terrena qualquer objetivo, determinada razão ou alguma finalidade! Os conceitos de ‘alma’, ‘espírito’ e, enfim, também aquele de ‘alma imortal’ foram inventados para ensinar o desprezo do corpo, tornando-o doentio – isto é, ‘santo’ para opor a todas as coisas que merecem ser tratadas com seriedade na vida (aos problemas da nutrição, do asseio, do tempo) uma inenarrável superficialidade! Trocar a saúde pela ‘salvação da alma’ significa folie circulaire, situada entre as convulsões da penitência e o histerismo da redenção!
O conceito de ‘culpa’ foi inventado conjuntamente com o instrumento torturante que o completa; o conceito de ‘livre-arbítrio’, para confundir os instintos, para fazer da prevenção contra os instintos uma segunda natureza! No conceito de ‘altruísmo’, de ‘renúncia de si mesmo elevada a ‘virtude’, o ‘dever’, a ‘santidade’, a ‘divindade’ no homem! Finalmente – e isto é o mais atroz – no conceito de ‘homem bom’ se exalta tudo o que é débil, doentio tudo o que, enfim, deve desaparecer! A lei da seleção foi crucificada pela oposição contra o homem altivo e são, contra o homem que afirma, contra o homem convicto, antemural do futuro, artífice do Idea; este homem, doravante, será tido por ‘mau’.. – E tudo isso foi aceito em nome da Moral! – Écrasez l’infâme!.”
Friedrich Nietzsche
Caerostris darwini
Existe um lugar restrito que recuso a dar o endereço, por motivos de suma complexidade, tais como o alto grau da ignorância presente – extrema falta de redes neurológicas ligadas ao estudo de excepcionais, vistos de maneira mesquinha. A grande porcentagem jamais entenderá a profundidade de um lugar excêntrico, similar a um poço sem fundo, interligado com a lei gravitacional, onde cair é inevitável, mas esta teoria só se aplica aos leigos, incapazes de virar de ponta cabeça.
O espaço privativo é adaptado e exclusivo para as cabeças de alfinete sem cor (altamente impróprio a falsas colorações!), dotadas com uma espécie de mapa mental, capazes de chegar ao local com precisão, acorrentados alfinetes que fluem ao rumo do percurso sem grandes explicações.
Ao longo dos anos o processo interno tende para o simples, tornando-se ilegível para outros, pois é resgatada a mesma percepção neurológica de uma criança, transformando a palavra numa linguagem informal digna de intensos significados, compreendidos apenas por outras crianças – conflito que poderia ser estudado e aplicado nas relações humanas.
Os alfinetes descorados que acompanham meu trabalho provavelmente entenderão o significado de meus argumentos através da Caerostris darwini, perfeição que como tantas outras, me faz lembrar a filosofia de Vygotsky.
Assim sermão, crítica para alguns, elogio para poucos, chega-se ao apse da ideia: a extrema gratidão às pessoas que fazem parte de
minha teia eternamente tecida, ora por mim, ora pelos colaboradores, transpirando união e tornando-se parte da essência natural, muito rara na humanidade, pois como um tripé, cada membro segura de um lado, e a união das peças destinam o cheque mate.
Sábado estive com Hélio Ideriha, dentista, nadador, e ator nas horas vagas! Passamos a tarde na praia de Mariscal filmando o tão esperado clipe de Drops of Rain, composição que homenagea as vítimas da tragédia do Tsunami no Japão, ocorrido em março deste ano. A letra clama pela união das nações, e preza pela consciência ambiental.
Enfim, será uma semana cansativa, com grandes projetos se concluindo. Acredito que no final da semana postarei o primeiro vídeo da “leva” que está por vir: Working for Freedom. Mas por enquanto a capivara permanece no mato. Nem adianta espiar! Vai que você confunda com uma Anta!
Falsas Colorações
As colorações naturais passam fome. Há torrentes ensurdecedoras que preenchem o topo da ignorância e procriam-se como grãos de areia, uma falsa alvorada estampada nos cabelos, antes castanhos, impregnados na pérfida espontaneidade da luz, que caminha na beira do precipício de mãos dadas com seu oposto – eternamente adorado por hostis merecedores da baixa renda, falsos assinantes de correspondências ocultas. A bondade dos adoradores de tinta reflete nos ombros do vizinho, que provavelmente trata sua indigestão com chá de boldo – causa: excesso de alimentação mental.
Todavia procura-se buscar o auto conhecimento através da falsa coloração. Se não ocorrido, concebe-se ao menos o alívio ilusório, e enquanto que o chão treme, devo admitir que possuo a nível superior um degrau avançado que impedirá o esmagamento na pior das hipóteses. Quando a ilusão adormece, pensamentos compulsivos voltam a tocar trombones perto do tímpano, pedindo a breve compreensão das sinapses conquistadas na infância pelos inconsequentes mascarados, mas logo vem o altruísmo facilmente reconquistado, destruindo qualquer resquícios da mente piedosa, pois uma personagem não revelada tornou-se alvo da mediocridade, e perdeu o valor de unicidade. A naturalidade contra o ilusório.
Felizmente enganado será o apostador da ilusão, ainda que tardar, não possua mais o que pintar, ora que o próprio organismo expulse de si algo que não lhe pertence – estupenda teoria que explica a importância da boa dieta.
Em processo de gravação!
Girafas de três cabeças, gata parda no cio rodeada de gatos demoníacos, antílopes, rinocerontes e talvez até dinossauros. A trama é concluída num campo extenso rodeado por montanhas (daquelas que lembram a Suíça), mas a ventania e as nuvens cinzentas mantém o clima tenso – cenário propício para uma dor de cabeça daquelas, resultante do ato de ranger os dentes. Noite agoniante seguida de outros sonhos perseguidos por lobos, onde o melhor refúgio se dá nos galhos quebradiços de uma árvore pequena, seca e por sinal, cinzenta.
Não é novidade sonhos cinzentos, já que o cinza predomina. O próprio edredom que me cobre é cinza. O cinza é a união das cores representadas no Yin Yang. Representa a dualidade de tudo o que existe na natureza, o equilíbrio entre altos e baixos, e além do bem e do mal. Transpira muito bem em “What do you want?” e pulsa compulsivamente em “Pride and Tools”.
A natureza ensina sem palavras. Seus ensinamentos evitam a morte precoce, privilégio restrito apenas para os que nascem. A morte é troféu para os que vivem, incognitivamente destinados a renascer no próximo temporal. O renascimento é o auge de todas as criaturas vivas do planeta, extinto em seres humanos. Proporciona o prazer do gozo diário, mais sexual do que o próprio ato de copular.
A longevidade das águias depende do extinto de sobrevivência, correlaciona a bravura da auto destruição com intuito de renascimento. Aos quarenta anos, decidirá pela vida ou pela morte. Heróico o ser que opta destruir seu próprio bico, arranca suas próprias penas com o propósito de renovar-se. Gozará nos próximos trinta anos se assim fizer nos próximos 150 dias, no topo da montanha.
Assim fez Zaratustra, assim fazem as águias, e assim traço meu destino. Para isso se faz necessário resgatar o equilíbrio do ego, a fim de digerir alguns sapos. Encontrar a grandeza dos pequenos atos define a conclusão de um longo percurso, motivo pelo qual eu prezo, e semeio aos próximos – águias destinadas a perderem o bico.
Nos próximos dias estarei no topo da montanha, gravando minhas composições, e editando um material de qualidade, que estará disponivel em HD daqui a 150 dias. E para os bons entendedores, aqui fica a mensagem: a multidão parada no acostamento está vendo a capivara. Prossiga.
*Aproveito nesta postagem para agradecer de coraçao a grande parceria da loja de instrumentos musicais Dat Som, empresa que está me ajudando muito no meu processo de gravação. Muito obrigado!
Inspiração
“Haverá alguém, no fim do século XIX, que tenha um conceito daquilo que os poetas das grandes épocas chamavam inspiração? Por pequeno que seja o restante de superstição que permanece em nós, seria difícil afastar a idéia de que somos apenas a encarnação, o porta-voz, os médiuns de potências superiores. O conceito da ‘revelação’ no sentido que, improvisadamente, com segurança e finura indizíveis alguma coisa se torne visível e audível – alguma coisa que agita e subverte profundamente – é a simples expressão da verdade. Sente-se, não se procura; toma-se, não se indaga quem dá; como um relâmpago, reluz súbito um pensamento, necessariamente assim sem hesitações na forma; eu nunca tive necessidade de fazer uma escolha. É um encantamento durante o qual a enorme tensão do ânimo sente às vezes o alívio de uma torrente de lágrimas, em nossas passadas, involuntariamente, ora se apressam, ora se retardam; é ficar completamente fora de si mesmo, com a percepção distinta de uma infinidade de estremecimentos tênues e delicados que repercutam até na ponta dos dedos; uma felicidade profunda, na qual a dor e o horror não agem por meio de contraste, mas sim como partes integrantes que são, indispensáveis, como uma nota de cor necessária neste oceano luminoso; um instinto do ritmo, que compreende todo um mundo de formas; a extensão, a necessidade de um ritmo amplo é, quase, a medida para a potencialidade da inspiração, uma espécie de compensação da sua opressão e tensão.
Tudo isso sucede de fato independentemente da nossa vontade, quase num torvelinho dos sentimentos de liberdade, de independência, de potestade, de divindade… O modo como a imagem, paralelamente, aqui se impõe, o que é de estranhar, não se tem mais nenhum conceito do que seja imagem, do que seja paralelo, e uma e outra se apresentam como a expressão mais cômoda, mais precisa, mais simples. Parece até, para recordar uma palavra de Zaratustra, que as coisas em si mesmas vêm de encontro entre elas, oferecendo-se a essa relação – ‘aqui todas as coisas acorrem, acariciantes, às duas expressões, adulando-te: querem elas cavalgar-te. A cavaleiro de todo símbolo tu cavalgas aqui para toda a verdade. Aqui se desmoronam todas as palavras e todos os tesouros de palavras do Verbo; todo Ser quer transformar-se em Verbo; todo Porvir quer aprender falar com tuas Palavras’ . Esta é a minha experiência da inspiração; não duvido que se deva voltar atrás milhares de anos para encontrar alguém que possa dizer-me: ‘É também minha’.”
Friedrich Nietzsche
Excesso de Luz
Desafio você, que acompanha meu blog, a ler até o fim essas lindas palavras de Nietzsche, um grande filósofo que muitas vezes, alivia sentimentos de solidão, transmite a esperança de que aja neste mundo mais pessoas que amem da forma como ele amou, e que sintam em demasia o que ele já sentia há mais de 100 anos.
Este texto eu copiei do livro “Ecce Homo”, onde em determinado capítulo, ele resume sua vida com trechos de suas publicações. Neste, ele se refere ao livro “Assim Falou Zaratustra”, obra que eu recomendo e proponho a todos os meus leitores que coloquem na sua lista de projetos vida:
- Ler “Assim Falou Zaratustra” (e reler pelo menos a cada 10 anos).
“Que língua usaria semelhante espírito quando falasse consigo mesmo? O ditirambo. Eu sou o inventor do ditirambo. Ouça-se como o Zaratustra fala consigo mesmo. Antes de surgir o sol, com uma felicidade esmeraldina, ressumada de ternura divinal, semelhante a esta não se encontra em ninguém antes de mim. Também a mais profunda melancolia em semelhantes Dionisos se torna um ditirambo; para prová-lo, quero citar o Canto noturno, o imortal lamento daquele que por excesso de luz e de potencialidade, devido a sua natureza solar, está condenado a não amar.
‘É noite: agora falam mais fortemente todas as fontes borbulhantes. Também a minha alma é uma fonte borbulhante.
‘É noite: somente agora se fazem ouvir todas as canções dos amantes. E também a minha alma é canção de amante.
‘Há em mim um desejo de amor que fala, por si mesmo, a linguagem do amor.
‘Eu sou luz; ah! fosse eu também noite! Mas esta é a solidão que me cinge de luz.
‘Ah! fosse eu sombrio e semelhante à noite: como sorveria seios de luz!
‘E abençoaria também vós, estrelinhas cintilantes, pirilampos celestiais! E seria bem-aventurado pelo dom da vossa luz.
‘Mas eu vivo na minha própria luz; sorvendo as chamas que brotam de mim.
‘Eu desconheço a felicidade de aceitar; e muitas vezes, sonhei que roubar deve ser muito mais doce do que aceitar.
‘A minha pobreza consiste nisso: minha mão não se cansa nunca de dar; minha inveja é ver olhos que esperam e noites iluminadas, pelo desejo.
‘Oh! desventura de todos aqueles que dão! Oh! obscurecimento do meu sol! Oh! cupidez do desejar! Oh! fome atroz na saciedade!
‘Eles tomam o que eu lhes dou; mas acaso estarei eu ainda em contato com a sua alma? Há um abismo entre o dar e o receber; e o abismo mais contraído e o mais difícil de transpor.
‘Um apetite nasceu da minha beleza; quisera fazer mal àqueles que cumulo de mimos; tal é em mim a ânsia de maldade.
‘Semelhante vingança é a invenção de minhas opulências; tais perfídias nascem da minha solidão.
‘A minha felicidade em dar se dissipa com a dádiva; a minha virtude cansou-se de si mesma pela sua abundância!
‘Quem doa sempre corre perigo de perder o pudor; quem distribui tem sempre mão e coração calejados pelo demasiado rude por sentir o frêmito das mãos cheias.
‘Donde vêm as lágrimas aos meus olhos e o calo ao meu coração? Oh! solidão de todos aqueles que dão! Oh! silêncio de todos aqueles que resplandecem!
‘Muitos sóis gravitam no espaço deserto; falam eles a tudo o que é obscuro, usando da sua luz; para comigo, emudecem.
‘Ah! esta é a inimizade da luz contra tudo o que resplandece; inclemente, prossegue na sua marcha.
‘Injusto no mais profundo do coração contra tudo aquilo que luz, frio para com os sóis, dessa forma, todo sol ergue o seu curso.
‘Como o furacão, os sóis prosseguem o seu caminho, seguem a sua vontade inexorável; tal é a sua frialdade.
‘Oh! somente vós, obscuros noturnos, sois os criadores do calor da luz. Só vós sugais leite reconfortador dos úberes da luz!
‘Ah! ao redor de mim tudo é gelo, gelo que queima as minhas mãos! Oh! eu tenho uma sede que anela a vossa sede!
‘É noite; agora o meu desejo brota de mim como de uma fonte – o desejo de falar.
‘É noite; falam agora mais fortemente todas as fontes borbulhantes. E a minha alma também é uma fonte borbulhante.
‘É noite; acordam agora todas as canções dos amantes. E também a minha alma é uma canção amorosa.’ ”
Friedrich Nietzsche


